quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

1001 Filmes para Ver... década de 80

Segue a lista dos filmes que constam da edição brasileira de "1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer" de 1980 a 1989:

1980

Gente Como a Gente

Atlantic City

O Último Metrô

O Iluminado

Guerra nas Estrelas – O Império Contra-Ataca

O Homem Elefante

Agonia e Glória

Loulou

Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu

Touro Indomável

1981

Reds

Caçadores da Arca Perdida

O Barco – Inferno em Alto-Mar

Gallipoli

Carruagens de Fogo

Corpos Ardentes

Três Irmãos

O Homem de Ferro

Picardias Estudantis

1982

ET – O Extraterrestre

O Eingma do Outro Mundo

Poltergeist

Blade Runner – O Caçador de Andróides

Uma Noite Alucinante – A Morte do Demônio

Tootsie

Yol

Quando os Jovens se Tornam Adultos

Fitzcaraldo

Gandhi

A Noite de São Lourenço

Uma Questão de Silêncio

Fanny e Alexander

1983

Uma História de Natal

Videodrome – A Síndrome do Vídeo

Guerra nas Estrelas – Retorno de Jedi

O Reencontro

O Último Combate

Dinheiro

Utu

Laços de Ternura

O Quarto Homem

Rei da Comédia

Os Eleitos

Koyaanisqatsi

Era Uma Vez na América

Scarface

A Balada de Narayama

Sem Sol

El Norte

1984

Amadeus

O Exterminador do Futuro

Paris, Texas

A Hora do Pesadelo

Isto É Spinal Tap

Os Caça-Fantasmas

Passagem para a Índia

Estranhos no Paraíso

Os Gritos do Silêncio

1985

A Honra do Poderoso Prizzi

A Cor Púrpura

O Clube dos Cinco

Ran

Vá e Veja

A História Oficial

Entre Dois Amores

A Rosa Púrpura do Cairo

De Volta Para o Futuro

Um Tempo Para Viver, Um Tempo Para Morrer

Brasil, O Filme

O Beijo da Mulher Aranha

Terra Tranquila

Mishima, Uma Vida Em Quatro Tempos

Sem Teto Nem Lei

Shoah

1986

Dragão Vermelho

Conta Comigo

Veludo Azul

Hanna e Suas Irmãs

Ela Quer Tudo

O Declínio do Império Americano

A Mosca

Aliens – O Resgate

Curtindo a Vida Adoidado

Daunbailó

Uma Janela Para O Amor

Os Filhos do Silêncio

Platoon

Caravaggio

Tampopo – Os Brutos Também Comem Espaguete

Do Ma Daan

Top Gun

Salvador – O Martírio de Um Povo

Sherman’s March

1987

A Luz

Asas Do Desejo

Projeto China – A Vingança

A Festa de Babette

Arizona Nunca Mais

Nascido Para Matar

Os Desajustados

Bom Dia, Vietnã

Adeus Meninos

Nos Bastidores da Notícia

Dona-de-Casa

A Princesa Prometida

Feitiço da Lua

Os Intocáveis

O Sorgo Vermelho

Os Vivos e os Mortos

Atração Fatal

1988

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos

O Silêncio do Lago

Sorte no Amor

Ariel

A Tênue Linha da Morte

Akira

Cinema Paradiso

Hotel Terminus

Um Peixe Chamado Wanda

Corra Que a Polícia Vem Aí

Quero Ser Grande

Ligações Perigosas

O Túmulo dos Vagalumes

Paisagem Na Neblina

O Decálogo

Duro de Matar

Uma História do Vento

Uma Cilada para Roger Rabbit

Rain Man

Um Assunto de Mulheres

1989

O Cozinheiro, O Ladrão, Sua Mulher e o Amante

Síndrome Astênica

Sexo, Mentiras e Videotape

Digam o Que Quiserem

Roger e Eu

Meu Pé Esquerdo

A Cidade das Tristezas

Batman

Crimes e Pecados

Faça a Coisa Certa

Drugstore Cowboy

Tempo de Glória

O Matador (japonês)

Harry e Sally – Feitos Um Para o Outro

A Incrível Verdade


Esses filmes não constavam da edição americana, mas estão na brasileira:

Pixote

Eles Não Usam Black-tie

Cabra Marcado Para Morrer

Memórias do Cárcere

Dao Ma Zei

Uma História Chinesa de Fantasmas

Afogando em Números

Ilha das Flores


E esses contavam na edição americana e foram retirados:

Um Tiro da Pesada

Lobisomem Americano em Londres

Um Homem Fora de Série

Trop Tôt, Trop Tard

Alice

O Turista Acidental


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

1001 Filmes pra Ver... década de 90

Segue a lista de 1990 a 1999 do livro "1001 Filmes pra Ver Antes de Morrer".

1990
O Vingador do Futuro
No Fear No Die
Confiança
Edward Mãos de Tesoura
Dança com Lobos
Arcanjo
Reverso da Fortuna
Close-Up
O Rei de Nova Iorque (italiano)
Alucianação do Passado
Os Bons Companheiros
Filhos da Guerra
Uma Linda Mulher
Henry – Retrato de um Assassino
1991
Os Donos da Rua
Delicatessen
A Bela Intrigante
Francis Ford Coppola- O Apocalipse de um Cineasta
JFK
O Juízo Final
Thelma & Louise
Tongues Untied
O Silêncio dos Inocentes
A Dupla Vida de Véronique
Slacker
Lanternas Vermelhas
Era Uma Vez na China
Garotos de Programa
Mistérios e Paixões
A Brighter Summer Day
O Exterminador do Futuro 2 – O Juízo Final
1992
Yuen Ling-Yuk
Vem Dançar Comigo
O Sucesso a Qualquer Preço
Aconteceu Perto de Sua Casa
Cães de Aluguel
Os Imperdoáveis
Traído Pelo Desejo
Skinheads – A Força Branca
Conto de Inverno
Aileen Wuornos: The Selling of a Serial Killer
O Jogador
1993
Mestre das Marionetes
A Lista de Schindler
Short Cuts – Cenas da Vida
O Piano
O Sonho Azul
Banquete de Casamento
Adeus Minha Concubina
Feitiço do Tempo
32 Curtas sobre Glenn Gould
Filadélfia
Parque dos Dinossauros
A Liberdade é Azul
1994
O Balconista
Pulp Fiction
O Casamento de Muriel
Amores Expressos
Priscila, A Rainha do Deserto
Caro Diário
A Fraternidade é Vermelha
O Reino
Forrest Gump
Assassinos por Natureza
Quatro Casamentos e um Funeral
Basquete Blues
Um Sonho de Liberdade
O Poder da Sedução
Através das Oliveiras
Rei Leão
Crumb
Satantango
Almas Gêmeas
1995
Deseret
Coração Valente
Cassino
A Salvo
Seven – Os Sete Pecados Capitais
Cortina de Fumaça
O Ciclo
Babe – O Porquinho Atrapalhado
The Brave Heart Will Take the Bride
Os Suspeitos
Underground – Mentiras de Guerra
Fogo Contra Fogo
Zero Kelvin
Toy Story
Homem Morto
O Balão Branco
As Patricinhas de Beverly Hills
1996
Shine - Brilhante
Ondas do Destino
Gabbeh
Três Vidas e Uma Só Morte
Trainspotting
Pânico
Lone Star – A Estrela Solitária
Segredos e Mentiras
Fargo
O Paciente Inglês
Independence Day
1997
Nó na Garganta
Jogos Perigosos
Festa de Família
Abre los Ojos
Tempestade de Gelo
Los Angeles – Cidade Proibida
Titanic
Felizes Juntos
Princesa Mononoke
Boogie Nights
Gosto de Cereja
O Doce Amanhã
1998
Buffalo 66
Felicidade
Central do Brasil
O Resgate do Soldado Ryan
Corra Lola Corra
Três é Demais
Pi
Quem Vai Ficar com Mary?
Além da Linha Vermelha
1999
Audition
Beleza Americana
Clube da Luta
Quero Ser John Malkovich
A Bruxa de Blair
Beau Travail
Tudo Sobre Minha Mãe
Matrix
Magnolia
Três Reis
O Sexto Sentido

Os filmes seguintes faziam parte da lista da primeira edição americana e foram retirados da edição brasileira:
The Beautiful Troublemaker (1991)
The Actress (1992)
A Idade da Inocência (1993)
Rosas Selvagens (1994)
Estranhos Prazeres (1995)
O Livro de Cabeceira (1996)
Desconstruindo Harry (1997)
Kundun (1997)
Mãe e Filho (1997)
Fast, Cheap, and Out of Control (1997)
Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998)
Sombre (1998)
Tetsuo – The Ironman(1998)
O Chamado (japonês) (1998)
Attack the Gas Station! (1999)
O Tempo Redescoberto, (1999)
Rosetta (1999)
The Wind Will Carry Us (1999)
Tabu (1999)
De Olhos Bem Fechados (1999)

E os seguintes foram acrescentados na edição brasileira:
No Fear No Die
Os Donos da Rua
Delicatessen
A Bela Intrigante
Yuen Ling-Yuk
O Balconista
Pulp Fiction
O Casamento de Muriel
Amores Expressos
Deseret
Coração Valente
Cassino
Shine - Brilhante
Ondas do Destino
Gabbeh
Nó na Garganta
Jogos Perigosos
Festa de Família
Nó na Garganta
Jogos Perigosos
Festa de Família
Buffalo 66
Felicidade
Central do Brasil

Somados os filmes que fazem parte da edição brasileira com aqueles que faziam parte da edição americana temos 153 filmes. Quantos você viu?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A Lógica do Preconceito

O texto a seguir é uma verdadeira aula de como o discurso do poder se estabelece e cria "razões" para a discriminação e o preconceito. Maravilhosamente bem escrito e inteligente!


SE OS HOMENS MENSTRUASSEM
de Glória Steinem, 1978

Morar na Índia me fez compreender que a minoria branca do mundo passou séculos nos enganando para que acreditássemos que a pele branca faz uma pessoa superior a outra. Mas na verdade a pele branca só é mais suscetível aos raios ultravioleta e propensa a rugas.

Ler Freud me deixou igualmente cética quanto à inveja do pênis. O poder de dar à luz faz a “inveja do útero” mais lógica e um órgão tão externo e desprotegido como o pênis deixa os homens extremamente vulneráveis.

Mas ao ouvir recentemente uma mulher descrever a chegada inesperada de sua menstruação (uma mancha vermelha se espalhara em seu vestido enquanto ela discutia, inflamada, num palco) eu ainda ranjo os dentes de constrangimento. Isto é, até ela explicar que quando foi informada aos sussurros deste acontecimento óbvio, ela dissera a uma platéia 100% masculina: “Vocês deveriam estar orgulhosos de ter uma mulher menstruada em seu palco. É provavelmente a primeira coisa real que acontece com vocês em muitos anos!”

Risos. Alívio. Ela transformara o negativo em positivo. E de alguma forma sua história se misturou à Índia e a Freud para me fazer compreender finalmente o poder do pensamento positivo. Tudo o que for característico de um grupo “superior” será sempre usado como justificativa para sua superioridade e tudo o que for característico de um grupo “inferior” será usado para justificar suas provações. Homens negros eram recrutados para empregos mal pagos por serem, segundo diziam, mais fortes do que os brancos, enquanto as mulheres eram relegadas a empregos mal pagos por serem mais “fracas”. Como disse o garotinho quando lhe perguntaram se ele gostaria de ser advogado quando crescesse, como a mãe, “Que nada, isso é trabalho de mulher.” A lógica nada tem a ver com a opressão.

Então, o que aconteceria se, de repente, como num passe de mágica, os homens menstruassem e as mulheres não?

Claramente, a menstruação se tornaria motivo de inveja, de gabações, um evento tipicamente masculino:

Os homens se gabariam da duração e do volume.

Os rapazes se refeririam a ela como o invejadíssimo marco do início da masculinidade. Presentes, cerimônias religiosas, jantares familiares e festinhas de rapazes marcariam o dia.

Para evitar uma perda mensal de produtividade entre os poderosos, o Congresso fundaria o Instituto Nacional da Dismenorréia. Os médicos pesquisariam muito pouco a respeito dos males do coração, contra os quais os homens estariam, hormonalmente, protegidos e muito a respeito das cólicas menstruais.

Absorventes íntimos seriam subsidiados pelo governo federal e teriam sua distribuição gratuita. E, é claro, muitos homens pagariam mais caro pelo prestígio de marcas como Tampões Paul Newman, Absorventes Mohammad Ali, John Wayne Absorventes Super e Miniabsorventes e Suportes Atléticos Joe Namath - “Para aqueles dias de fluxo leve”.

As estatísticas mostrariam que o desempenho masculino nos esportes melhora durante a menstruação, período no qual conquistam um maior número de medalhas olímpicas.

Generais, direitistas, políticos e fundamentalistas religiosos citariam a menstruação (“men-struação”, de homem em inglês) como prova de que só mesmo os homens poderiam servir a Deus e à nação nos campos de batalha (“Você precisa dar seu sangue para tirar sangue”), ocupariam os mais altos cargos (“Como é que as mulheres podem ser ferozes o bastante sem um ciclo mensal regido pelo planeta Marte?”), ser padres, pastores, o Próprio Deus (“Ele nos deu este sangue pelos nossos pecados”), ou rabinos (“Como não possuem uma purgação mensal para as suas impurezas, as mulheres não são limpas”).

Liberais do sexo masculino insistiriam em que as mulheres são seres iguais, apenas diferentes. Diriam também que qualquer mulher poderia se juntar à sua luta, contanto que reconhecesse a supremacia dos direitos menstruais (“O resto não passa de uma questão”) ou então teria de ferir-se seriamente uma vez por mês (“Você precisa dar seu sangue pela revolução”).

O povo da malandragem inventaria novas gírias (“aquele ali é de usar três absorventes de cada vez”) e se cumprimentariam, com toda a malandragem, pelas esquinas dizendo coisas tais como:
- Cara, tu tá bonito pacas!
- É cara, tô de chico!

Programas de televisão discutiriam abertamente o assunto. (No seriado Rappy Days: Richie e Potsie tentam convencer Fonzie de que ele ainda é “The Fonz”, embora tenha pulado duas menstruações seguidas. Rill Street Blues: o distrito policial inteiro entra no mesmo ciclo.) Assim como os jornais. (TERROR DO VERÃO: TUBARÕES AMEAÇAM HOMENS MENSTRUADOS. JUIZ CITA MENSTRUAÇÃO EM PERDÃO A ESTUPRADOR.) E os filmes fariam o mesmo (Newman e Redford em Irmãos de Sangue).

Os homens convenceriam as mulheres de que o sexo é mais prazeroso “naqueles dias”. Diriam que as lésbicas têm medo de sangue e, portanto, da própria vida, embora elas precisassem mesmo era de um bom homem menstruado.

As faculdades de medicina limitariam o ingresso de mulheres (“elas podem desmaiar ao verem sangue”).

É claro que os intelectuais criariam os argumentos mais morais e mais lógicos. Sem aquele dom biológico para medir os ciclos da lua e dos planetas, como pode uma mulher dominar qualquer disciplina que exigisse uma maior noção de tempo, de espaço e da matemática, ou mesmo a habilidade de medir o que quer que fosse? Na filosofia e na religião, como pode uma mulher compensar o fato de estar desconectada do ritmo do universo? Ou mesmo, como pode compensar a falta de uma morte simbólica e da ressurreição todo mês?

A menopausa seria celebrada como um acontecimento positivo, o símbolo de que os homens já haviam acumulado uma quantidade suficiente de sabedoria cíclica para não precisar mais da menstruação.

Os liberais do sexo masculino de todas as áreas seriam gentis com as mulheres. O fato “desses seres” não possuírem o dom de medir a vida, os liberais explicariam, já é em si castigo bastante.

E como será que as mulheres seriam treinadas para reagir? Podemos imaginar uma mulher da direita concordando com todos os argumentos com um masoquismo valente e sorridente. (“A Emenda de Igualdade de Direitos forçaria as donas de casa a se ferirem todos os meses”: Phyllis Schlafy. “O sangue de seu marido é tão sagrado quanto o de Jesus e, portanto, sexy também!”: Marabel Morgan.) Reformistas e Abelhas Rainhas ajustariam suas vidas em torno dos homens que as rodeariam. As feministas explicariam incansavelmente que os homens também precisam ser libertados da falsa impressão da agressividade marciana, assim como as mulheres teriam de escapar às amarras da “inveja menstrual”. As feministas radicais diriam ainda que a opressão das que não menstruam é o padrão para todas as outras opressões. (“Os vampiros foram os primeiros a lutar pela nossa liberdade!”) As feministas culturais exaltariam as imagens femininas, sem sangue, na arte e na literatura. As feministas socialistas insistiriam em que, uma vez que o capitalismo e o imperialismo fossem derrubados, as mulheres também menstruariam. (“Se as mulheres não menstruam hoje, na Rússia”, explicariam, “é apenas porque o verdadeiro socialismo não pode existir rodeado pelo capitalismo.”)

Em suma, nós descobriríamos, como já deveríamos ter adivinhado, que a lógica está nos olhos do lógico. (Por exemplo, aqui está uma idéia para os teóricos e lógicos: se é verdade que as mulheres se tornam menos racionais e mais emocionais no início do ciclo menstrual, quando o nível de hormônios femininos está mais baixo do que nunca, então por que não seria lógico afirmar que em tais dias as mulheres comportam-se mais como os homens se portam o mês inteiro? Eu deixo outros improvisos a seu cargo.

A verdade é que, se os homens menstruassem, as justificativas do poder simplesmente se estenderiam, sem parar.

Se permitíssemos.

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Gloria Steinem, nascida nos Estados Unidos, em 1934, jornalista e fundadora da primeira revista feminista, a Ms.. O artigo, Se os homens menstruassem, foi extraído do livro Memórias da Trangressão: momentos da história da mulher no século XX, publicado pela Editora Rosa dos Tempos em 1997.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer... (2000 em diante...)

Saiu a edição brasileira do livro "1001 Filmes para ver antes de Morrer" de Steven Jay Schneider. Há várias modificações em relação à primeira edição americana. Primeiro, porque a edição americana trazia apenas filmes até 2002, época do seu lançamento. Segundo, porque nem todos os filmes que estavam listados permaneceram e alguns foram incluídos.


Segue a lista dos filmes do livro "1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer" de 2000/2007. Nos próximos posts irei completando a listagem, década a década...

(2000)


Os Catadores e Eu

As Coisas Simples da Vida

Entrando numa Fria

Amnésia

O Dia do Perdão

Amor à Flor da Pele

Dançando no Escuro

Réquiem para um Sonho

O Tigre e o Dragão

Amores Brutos

Traffic

Gladiador


(2001)


O Fabuloso Destino de Amelie Poulain

A Viagem de Chihiro

Terra de Ninguém

Os Excêntricos Tenenbaums

O Senhor dos Anéis

A Caminho de Kandahar

Moulin Rouge

Lantana


(2002)


Cidade de Deus

Fale com Ela

O Pianista

Longínquo

Geração Roubada

Irreversível


(2003)


Kill Bill 1

A Melhor Juventude

Oldboy

Adeus, Lênin!

Contra a Parede

A Paixão de Cristo


(2004)


Crash – No Limite

A Queda – As Últimas Horas de Hitler

Entre Umas e Outras

Fahrenheit 9/11


(2005)


Um Herói do Nosso Tempo

Paradise Now

O Segredo de Brokeback Mountain

Infância Roubada


(2006)


Pequena Miss Sunshine

Apocalypto

Os Infiltrados

O Labirinto do Fauno

Borat

A Vida dos Outros

Apenas Uma Vez

A Rainha

O Hospedeiro


(2007)


O Escafandro e a Borboleta

Piaf – Um Hino ao Amor

Onde os Fracos Não Tem Vez

Na Natureza Selvagem

Sangue Negro

Desejo e Reparação


Estes filmes não estavam na lista da 1a edição americana que listava filmes até 2002. Foram ACRESCENTADOS na edição brasileira:

Gladiador (2000)

Lantana (2001)

Longínquo (2002)

Geração Roubada (2002)

Irreversível (2002)


Já estes filmes estavam na 1a edição americana que listava filmes até 2002. Foram RETIRADOS para a edição brasileira:

A Cativa

Signos e Desejos

Nove Rainhas

As Ruas de Casablanca

A Professora de Piano

Um Casamento à Indiana

Para Minha Irmã

A Hora da Partida

Cidade dos Sonhos

AI – Inteligência Artificial

E Sua Mãe Também

Chicago

Gangues de Nova Iorque

Invasões Bárbaras

E aí meu Irmão, Cadê Você?


São 55 na lista atual. Somando os que foram retirados para essa edição aos que constam da edição atual, temos 70.

Quantos filmes destes você já viu?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Paulo Coelho, Coca-cola e Fanta...


Recebi de uma amiga um e-mail em que ela reproduzia uma frase de Paulo Coelho:" Se eu fosse um refrigerante, seria uma Coca-cola." e questionava o fato de ele ser membro da Academia Brasileira de Letras. Além disso, ela também me enviou um texto de um blog (não sei qual) cujo título é "Essa coca-cola é Fanta!", questionando declarações que ele deu a respeito de sua sexualidade.


Bem, algumas consideração que fiz para ela é repito aqui:

Não sou fã do Paulo Coelho, não. Considerando que sou professora de Literatura Contemporânea, vejo o material dele como muito fraco. Mas...
- estar na Academia Brasileira de Letras não quer dizer sinônimo de qualidade literária. E veja bem, não estou criticando a Academia, não. Se vc for olhar a história da Academia desde a sua fundação, vai ver que muitas vezes foram eleitas pessoas que não eram nem escritores de literatura... O espaço da Academia nasceu como um fórum de discussões daqueles que influenciavam a sociedade de alguma foram através da palavra. E, nesse sentido, penso que, com ou sem qualidade, Paulo Coelho, por sua projeção mundial, merece seu lugar;
- sinceramente, correndo o risco de ser tachada de "politicamente correta", não sou fã desse tipo de comentário a respeito da sexualidade alheia. Acho uma invasão de privacidade, ainda mais quando é usada para denegrir a imagem de alguém, seja ele Paulo Coelho ou Joãozinho das Candongas... Tá, ele falou disso na entevista, no livro, mas as preferências sexuais dele ou sua indecisão, sei lá, não me afetam em nada;
- já a afirmação dele de que seria uma coca-cola, considero pretencioso, mas até isso é uma questão de ponto de vista, não é?


terça-feira, 5 de agosto de 2008

Finalmente , a Psiquiatria Repensando a Si Mesma?


Acabo de ler uma entrevista na "Revista Isto É" dessa semana que achei muito interessante e recomendo a todos: Hermano Tavares, psiquiatra, médico do hospital das Clínicas em São Paulo fala de uma nova abordagem no campo da psiquiatria, a Psiquiatria Positiva. Essa entrevista pode ser lida na íntegra no site da "Isto É": http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2022/artigo97775-3.htm

Dois trechos me chamaram especialmente a atenção, os quais reproduzo aqui:


"Um estudo conduzido pela USP na Grande São Paulo mostrou que 48% da população teve um diagnóstico psiquiátrico ao longo da vida. É o habitual em qualquer grande centro urbano. Inclui tabagismo, alcoolismo, depressão e ansiedade. Depois, vem compulsão por jogo, transtornos alimentares, esquizofrenia, entre outros."

Quantas pessoas a serem discriminadas por terem ido ao Psiquiatra, por serem "malucas", por serem" desajustadas"... Muitas vezes me pergunto quanto tempo ainda será necessário para que as pessoas compreendam que qualquer um está sujeito a, pelo menos um momento na vida, precisar de ajuda médica para superar distúrbios neurológicos e/ou neuroquímicos, como é o caso da depressão, bipolaridade, esquizofrenia e outras tantas patologias, sem que isso as desqualifique como seres humanos responsáveis e capazes?

"
Temos tratamentos com antidepressivos (que são antidepressão), com ansiolíticos (que são antiansiedade) e com antipsicóticos (que são antipsicose). Mas combater a psicose não garante a racionalidade. O tratamento ideal é antidepressivo e pró-felicidade, ansiolítico e pró-serenidade e antipsicose e pró-racionalidade."

Mais do que somente medicação, quem vai a um psiquiatra precisa de clareza quanto à razão de sua doença e a necessidade de de mudar seu estilo de vida, sua visão de mundo... E devia ser o psiquiatra o primeiro a ter essa consciência...


sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Dislexia, eu?!



Como professora por muitos anos em Ensino Fundamental, Médio e Superior, deparei-me diversas vezes com alunos que eram tachados de "burros", "atrasados", "preguiçosos", casos considerados "perdidos". Mas bastava ler o texto do aluno e conversar com ele para perceber que, na verdade, havia uma possibilidade muito grande de serem apenas casos de dislexia não diagnosticados. Infelizmente, a desinformação é muito grande em relação à doença. E, várias vezes, pude notar o triste fato de que muitos deles realmente se achavam "burros", "atrasados", "preguiçosos", pois haviam interiorizado o discurso de "incompetência" a ele dirigido por parte dos pais, professores, colegas...

Assim, no sentido de colaborar com a divulgação de informações relevantes a esse respeito, reproduzo aqui uma entrevista em publicação de uma escola brasiliense chamada Ciman, datada de junho de 2007::

Disléxico: você deve conhecer um...

Quando as notas no boletim não refletem exatamente a capacidade intelectual da criança, a primeira reação de quem não compreende o que está se passando é acusá-la de preguiça. Essa é a saída mais fácil para não encarar um problema que atinge de 10% a 15% da população mundial: a dislexia. Compreendida como um distúrbio específico de aprendizagem, na área de leitura e escrita, a dislexia é hoje completamente diagnosticável. Estudos comprovam ser um distúrbio neurológico, congênito, hereditário e que atinge mais os homens — numa proporção de três para uma mulher disléxica.

Devido a essa alta incidência, é quase impossível não ter crianças disléxicas em todas as escolas brasileiras, públicas ou particulares. A fonoaudióloga Karla Castelo Branco que é pós-graduada em educação de deficiente auditivo, com especialização em psicopedagogia, acredita que quanto mais cedo se fizer a identificação do distúrbio e for dado encaminhamento adequado melhores serão os resultados. E, mesmo assim, tendo de enfrentar os vários obstáculos que lhe são impostos, a criança disléxica ainda precisa vencer a pior de todas as barreiras para conquistar o seu desenvolvimento educacional: a desinformação. Em entrevista ao Caderno CIMAN, Karla abre a caixa preta desse distúrbio tão comum e tão ignorado pela maioria das escolas, pais e amigos.

O que é dislexia?

Hoje em dia, temos várias opiniões diferentes, mas a dislexia, em si, é um distúrbio da leitura que tem como conseqüência as trocas na escrita e a dificuldade na matemática (a descalculia). São problemas que afetam a motivação, a atenção. A parte cognitiva é preservada — a criança tem uma inteligência reconhecidamente normal. Os estudos, hoje, estão voltados para a descoberta dos motivos que levam a esse distúrbio. Está comprovada a deficiência neural, mesmo. Sabia-se que o distúrbio vinha do lado esquerdo, o parietal. Hoje, já se sabe que o lado temporal do cérebro, responsável também pelas funções do parietal, pela leitura e a escrita, é maior que o esquerdo. E que a incidência é muito maior nos meninos do que nas meninas.


Existe uma explicação para isso?

Não existe uma explicação certa. Pelas pesquisas, a demanda maior nos consultórios vem dos meninos. Agora, se analisarmos o desenvolvimento dos meninos e das meninas, perceberemos que as meninas se desenvolvem mais rapidamente, até pelo brincar delas, que estimula muito o motor fino — responsável pelo desenvolvimento do pegar, da atenção, do escrever. O menino começa muito pelos movimentos amplos. Observamos que a menina tem uma estimulação maior.


Como se diagnostica a dislexia? É um problema hereditário?

É hereditário. Estão comprovadas alterações nos cromossomos 6 e 15. O neurologista Albert Galaburda também comprovou a existência de células fora do lugar, chamada de ectopia, e células com funções diferentes, que chamamos de displasia. A dislexia já é um distúrbio neurologicamente diagnosticado. Agora, se você se liga apenas nesse aspecto relacionado à saúde, acaba não vendo a criança no contexto em que ela está. A dislexia pode ser provocada por outros fatores, como um problema no processamento auditivo, por exemplo. É preciso avaliar todos os pontos.


Então, não é uma avaliação simples.

Não podemos ver a criança como "o disléxico". Precisamos percebê-la como um todo. Todas as relações dela precisam ser consideradas: as relações com os pais, com a escola, com os amigos, o contexto. Temos de acompanhar o desenvolvimento da criança desde o tempo zero. Como foi a estimulação de 0 a 2 anos, de 2 a 7 anos? A criança ficou mais com os pais ou com a babá? Essas são fases da inteligência da criança que têm que ser levadas em consideração durante a avaliação.


Essas questões podem determinar o grau de comprometimento?

Podem. Tanto que há a dislexia de leve a severa. Se formos nos avaliar, é possível que detectemos alguns itens da dislexia em nós mesmos.


Antigamente, a criança que não se desenvolvia bem na escola era tida como preguiçosa. E, hoje, quando é considerada a dislexia?

Não existe criança preguiçosa. Algo está acontecendo para que ela não esteja respondendo. É por isso que temos de buscar os fatos. Pode ser uma questão emocional, pode ser orgânica, pode ser um distúrbio como a dislexia ou o TDAH. A confusão entre letras com sons ou formas similares ("P" e "B"; "V" e "U"), sílabas ou palavras, inversões, dificuldades na leitura, contaminação de sons podem ser sinais de dislexia. Uma criança que lê com dificuldade, pula palavras, tem seu poder de interpretação comprometido pode levar as pessoas a acharem que ela não está prestando atenção. O disléxico não consegue ler o que ele não consegue formara imagem na cabeça.


Quanto tempo leva para se fazer um diagnóstico de dislexia?

A criança tem de passar por um psicólogo, um fonoaudiólogo, um psicopedagogo, tem de ser encaminhada por um neurologista. Só assim é possível chegar a uma conclusão. Em caso contrário, qualquer um que apresente algum desses distúrbios pode ser considerado disléxico.


Registros históricos levaram especialistas a crer que Einstein, Leonardo da Vinci, Wiston Churchill e Walt Disney eram disléxicos. Famosos como Tom Cruise e Whoopi Goldberg se declararam disléxicos. Existe alguma relação do distúrbio com a genialidade?

Não há nada comprovado. Mas são personagens que venceram suas dificuldades. Veja Tom Cruise. Quem lê os textos para ele é a secretária. A dislexia não impediu que essas pessoas fossem bem sucedidas em seus objetivos. Mas não significa que um disléxico precise ser um gênio.


Dislexia tem cura?

Não. Mas a terapia ajuda o disléxico no processo de organização do seu pensamento. Pais, terapeutas e escola trabalham juntos para adequar a criança ao mundo. Com essa ajuda, ela vai encontrando os próprios caminhos e se adequando. Cada um vai encontrando as soluções para suas dificuldades, assim como Tom Cruise fez. Outros, na hora da escrita, usam o computador para que o corretor ortográfico aponte os erros. É uma forma de driblar as trocas no momento da escrita. Eu desenhava um relógio no pulso dos meus pacientes para ajudá-los a lembrar a direita e a esquerda.


Como precisa ser a relação entre a escola e o aluno disléxico?

É preciso que os professores estejam preparados para receber esse aluno. Palestras e grupos de estudos sobre o tema são atividades importantes que a escola precisa estimular para que os profissionais que lidam diretamente com o aluno saibam fazer isso. É muito fácil a escola chamar os pais e dizer: "Ele não está acompanhando". E o papel da escola, como fica? Antigamente, a dislexia era um terror. Hoje, sabe-se que existem formas diferentes de trabalhar com a criança.


E os pais, como devem agir?

É importante que os pais falem com o filho sobre a dislexia, mas sem tachá-lo, ou a criança pode se sentir "o disléxico". Já tive paciente a quem fui perguntar o nome e ele respondeu: "sou disléxico". É como se ele me dissesse: "Eu não me autorizo mais, quem está me autorizando é o meu distúrbio". Esse rótulo é algo que afeta a auto-estima, que já é prejudicada por perceber que não está conseguindo o mesmo que os colegas conseguem. A relação tem de ter como base a ajuda, o companheirismo, mas sem relaxar.


Como deve ser a exigência com essas crianças?

É preciso limite na cobrança. Não adianta pedir, por exemplo, para a criança ler duas páginas. O certo seria pedir ela para ler um parágrafo, interpretar, depois prosseguir. Às vezes, no afã de ajudar, os pais atrapalham. Tudo é um caminhar. Não é fazer por ela, mas fazer com ela.


Como dever ser a avaliação do aluno?

O tempo que é colocado para a criança fazer a prova não pode ser o mesmo para um disléxico. Há momentos em que ele vai precisar da interferência de um leitor para ajudá-lo. A prova oral, por exemplo, é o tipo de avaliação mais indicada. É preciso ter em mente que o importante é saber se o aluno apreendeu o conteúdo. Se, para descobrir isso, for necessário fugir do lugar comum da prova convencional — para reduzir a carga, a pressão sobre ele e deixar o pensamento fluir naturalmente —•, assim deve ser feito.